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Eucaristia e Igreja em Santo Ambrósio de Milão

8,00 €
Com IVA

Autor: Luís Manuel Pereira da Silva

Tamanho:148X210mm

N.º de páginas: 320

ISBN 978-989-8877-95-6

1ª edição: maio de 2021

Coleção: Hodie – 2

Dos textos de Santo Ambrósio que o autor comenta neste livro ressaltam dinamismo e participação comunitária, ligando Eucaristia e Igreja.

Um dinamismo constante, de Deus provindo e para Deus remetendo, comunitariamente atuado. Num passo particularmente elucidativo, o autor detalha, seguindo Santo Ambrósio, o dinamismo eucarístico – eclesial.

A consistência vem do estudo apurado que fez sobre textos de Santo Ambrósio (tese de licenciatura em Liturgia no Pontifício Instituto Litúrgico Anselmiano) e que relacionam dois temas cristãos essenciais: Eucaristia e Igreja. A oportunidade advém do modo como o faz, articulando dinamicamente uma e outra, como era próprio do século IV e foi muito sublinhado na doutrina do Concílio Vaticano II e na prática eclesial contemporânea.

O Cónego Luís Manuel não foi apenas um aplicado estudioso das antigas fontes litúrgicas. Como pároco da Sé e formador, concretizou e ensinou o que sabia, aliando o conhecimento à capacidade de comunicação, muito clara e sugestiva.

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Prefácio

UMA CONTRIBUIÇÃO CONSISTENTE E OPORTUNA

Congratulo-me com a publicação deste trabalho académico do Cónego Luís Manuel Pereira da Silva. Falecido o autor e por concluir o texto, fica ainda assim como testemunho de um sério labor, de grande consistência e oportunidade.

A consistência vem do estudo apurado que fez sobre textos de Santo Ambrósio e que relacionam dois temas cristãos essenciais: Eucaristia e Igreja. A oportunidade advém do modo como o faz, articulando dinamicamente uma e outra, como era próprio do século IV e foi muito sublinhado na doutrina do Concílio Vaticano II e na prática eclesial contemporânea.

Para quem, como quem escreve, nasceu e cresceu ainda nos anos quarenta, ou na década seguinte como o autor, e teve a graça de integrar uma comunidade cristã onde não faltavam proximidade e afeto, a recuperação conciliar do modo mais antigo de viver e celebrar a fé, foi muito mobilizadora. No tempo de Santo Ambrósio, os cristãos celebravam na língua que falavam e tudo acontecia com grande envolvimento comunitário, da iniciação cristã à liturgia comum. Com o século seguinte, vieram as invasões bárbaras e começou a longa Idade Média (século V a XV).

Foi um milénio de várias épocas e múltiplas expressões. Mas algumas caraterísticas perduraram em geral. A primeira foi o fim da civilização urbana e a proliferação de pequenos núcleos rurais, distendendo a ligação com os centros episcopais onde se desenvolvera a liturgia antiga. A segunda foi a sobreposição de povos e línguas ao que sobrava do anterior mundo latino. Nalguns casos, como o nosso, o latim foi-se alterando e deu origem a várias outras línguas. O latim litúrgico tornou-se incompreensível e quase exclusivo dos clérigos. Por sua vez, estes mesmos se distanciaram do comum dos fiéis no que à celebração respeitava e remetendo-os à simples assistência. Não faltaria a piedade, mas perdia-se a assembleia como sujeito celebrante.

Numa esclarecedora nota deste trabalho, o autor inclui uma citação de R. Falsini, que patenteia a perda medieval «da ideia da ecclesia celebrante, vivíssima na consciência da Igreja antiga» e a sua desintegração, por circunstâncias como a menor participação dos fiéis, ou a multiplicação das Missas privadas, entre outras (p. 283, nota 199).

Participação ou mera assistência são realidades diferentes. A primeira requer compreensão do que se ouve e faz e integração num movimento comum, mesmo que diferenciado nos agentes. A segunda remete para a observação estática e mais ou menos consciente de algo que outros fazem, qual “teatro litúrgico”, como também se designou.

Dos textos de Santo Ambrósio que o autor comenta neste livro ressaltam dinamismo e participação comunitária, ligando Eucaristia e Igreja. Articulam-se assim: «Corpo de Cristo, Povo Cristão, a Igreja é uma realidade dinâmica, […] que recebe de Deus a força e o impulso que pelo Espírito Santo está continuamente em construção através dos sacramentos. […] O Batismo e a Eucaristia são os sacramentos fontais de toda a vida da Igreja. Pelo Batismo a “assembleia dos povos” é configurada com Cristo morto e ressuscitado, pela Eucaristia a Igreja é constantemente alimentada pela Palavra e pelo Pão. Estes dois alimentos nutrem, regeneram, fortificam e unificam o Corpo de Cristo: a Palavra gera Cristo no coração dos cristãos, dá Vida e santifica a Igreja; o Pão alimenta e gera a unidade do corpo de Cristo» (p. 160-161).

Um dinamismo constante, de Deus provindo e para Deus remetendo, comunitariamente atuado. Num passo particularmente elucidativo, o autor detalha, seguindo Santo Ambrósio, o dinamismo eucarístico – eclesial. Primeiro como Mistério (Mysterium) em que o próprio Deus se revela, numa história da salvação que a celebração eucarística condensa: «Celebrar a Eucaristia é atualizar como em microcosmos toda a História da Salvação, da criação à redenção, e fazer memória do Evento central e fontal da Eucaristia – o Mistério Pascal de Cristo. Pela paixão, morte e ressurreição de Cristo, a humanidade foi resgatada, a Vida Nova foi concedida aos homens e abriu-se à humanidade o horizonte de eternidade» (p. 205). Também como Ação (Actio), em dois tempos conjugados: «Como celebração memorial do Mistério Pascal, a Eucaristia apresenta a estrutura de duas grandes partes, que denominaremos de Liturgia da Palavra e Liturgia da Eucaristia. Na primeira parte pontifica a Palavra de Deus, proclamada, escutada, explicada e meditada. […] A Liturgia da Eucaristia, mediante a força do Espírito Santo e as palavras de Jesus, renova o memorial da Páscoa de Cristo. Com a verbo Dei os elementos de pão e de vinho tornam-se o Corpo e Sangue de Cristo, o verdadeiro oferente e a verdadeira oferta do Pai. A Igreja que celebra estes mistérios oferece-se com Cristo e em Cristo como vítima espiritual» (p. 205-206). Finalmente como Vida (Vita), projetando-se a Eucaristia na vida eclesial: «Primeiro que tudo, a celebração da Eucaristia provoca e constitui a Igreja como assembleia para celebrar o mistério central da sua fé. Na celebração e da celebração a Igreja encontra alimento para a Vida de relação com o seu Esposo. A Palavra e a Eucaristia são alimento. Alimento para o Povo da Nova Aliança, que é o Corpo e Sangue de Cristo, santo alimento, alimento não corporal mas espiritual, Pão que dá vida ao mundo, Pão da Vida Eterna, perdoa os pecados, alegra o coração, sacia plenamente» (p. 207).

Resulta também dos textos de Santo Ambrósio a importância do altar e da respetiva centralidade como foco de atenção e lugar da celebração. Sintetiza-se assim: «Convocada por Deus a celebrar por Cristo, no Espírito Santo, o Mistério Pascal, a Igreja reunida em assembleia tem, na Liturgia da Eucaristia, como ponto central o altar. O altar e a assembleia implicam-se e iluminam-se. O altar é o polo atrativo e convergente da comunidade reunida. A própria Iniciação Cristã nele atinge o seu cume com a participação e receção da Eucaristia» (p. 280).

 É também deste modo que a Igreja cresce e se manifesta como povo, em torno da mesma atração vivificante: «A igreja à volta do altar reconhece-se como povo, plebs, assembleia reunida; mais, assembleia convocada por Deus e festivamente reunida para celebrar os sacramentos do santo altar: Santi altaris sacramenta. A Igreja reunida em assembleia e ministerialmente hierarquizada, diante do altar torna-se sinal evidente do que realmente é, sujeito celebrante. Unida a Cristo e mediante o Espírito Santo, apresenta ao Pai a oblação perfeita que se torna o seu alimento» (ibidem).

Nos textos ambrosianos, a iniciação cristã traduz-se mesmo como caminho para o altar, centro de comunhão mútua divinamente causada: «Nas catequeses mistagógicas do bispo de Milão, uma ideia profundamente incutida nos neófitos é a do altar ser o centro da comunidade reunida e o terminus da Iniciação Cristã. Compreende-se o acento colocado no aproximar-se do altar, repetindo várias vezes o verbo venire, e na admiração pelo que está sobre ele, os sacramentos do Corpo e Sangue de Cristo» (p. 281-282). E o autor junta esta observação: «cremos ser lícito ver no termo mensa de algum modo, uma informação da estrutura arquitetónica – mesa – e perceber a conceção teológica da Eucaristia como Ceia do Senhor» (p. 280-282).

Eucaristia e Igreja relacionavam-se em perfeita circularidade e envolvendo o conjunto dos crentes. No tempo e na escrita de Santo Ambrósio a liturgia manifestava isso mesmo, quando o que era próprio do presidente se conjugava com o sujeito comunitário da celebração. A própria oração privilegiava o plural: «O que preside dirige-se a Deus sempre em nome da assembleia, in persona ecclesiae, sendo nítido o “esbatimento” do que preside, não na função presidencial (pois é ele que reza o Cânon) mas enquanto sujeito exclusivo da ação. Tal é patente nas epicleses – Fac nobis; Et petimus et precamur – e na anamnese – offerimus tibi – onde os verbos usados estão na primeira pessoa do plural […]. O que preside está rodeado da assembleia, faz um com ela, melhor, ainda que presidindo, é um membro da assembleia celebrante. A participação expressa-se também com a possível aclamação final» (p. 283-284).

O movimento litúrgico que levou à reforma conciliar que recebemos, redescobriu e retomou textos de autores dos primeiros séculos, ainda muito ligados aos gestos fundadores de Cristo e dos Apóstolos. É esta liturgia realmente “mais antiga” que Santo Ambrósio ilustra e Luís Manuel Pereira da Silva nos oferece no seu trabalho tão consistente e oportuno.

Refiro ainda, com gratidão e apreço, que o Cónego Luís Manuel não foi apenas um aplicado estudioso das antigas fontes litúrgicas. Como pároco da Sé e formador, concretizou e ensinou o que sabia, aliando o conhecimento à capacidade de comunicação, muito clara e sugestiva. Foi mais um elo da boa escola litúrgica que Monsenhor Pereira dos Reis, o Cónego José Ferreira e o Padre Manuel Luís protagonizaram entre nós.

X Manuel Clemente, Cardeal Patriarca de Lisboa

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O Autor

Luís Manuel Pereira da Silva (1956-2020) nasceu a 2 de setembro de 1956 e faleceu em 12 de junho de 2020, em ambos os casos em Lisboa. Foi presbítero do Patriarcado de Lisboa, onde foi ordenado a 28 de novembro de 1993 por D. António Ribeiro. Licenciou-se em Filosofia (1982) e Teologia (1992), em Lisboa, pelas respetivas Faculdades da Universidade Católica Portuguesa. E

ntre 1992 e 1996, foi estudante residente do Pontifício Colégio Português, em Roma. Nesta cidade, desenvolveu os seus estudos no Pontifício Instituto Litúrgico do Ateneu de Santo Anselmo, onde, em 1996, concluiu a licenciatura canónica em Liturgia com a tese que agora se publica, bem como a parte curricular do Doutoramento.

Concomitantemente, foi aluno do Instituto Patrístico «Augustinianum», onde obteve o Diploma em Teologia e Ciências Patrísticas no mesmo ano.

Foi Pároco da Sé Patriarcal de Lisboa desde 1996, Mestre das Cerimónias Patriarcais desde 1998 e Cónego do Cabido Sé Patriarcal de Lisboa desde 8 de dezembro de 2003.

Na esteira da sua formação litúrgica, integrou a Comissão de Liturgia e Música Sacra do Patriarcado de Lisboa (1996-2000) e, no ano 2000, passou a ser diretor do respetivo Departamento de Liturgia. A partir de 1999 iniciou colaboração com o Secretariado Nacional de Liturgia como vogal.

No âmbito universitário, exerceu a docência das unidades curriculares de Liturgia, bem como a orientação de diversos seminários, nos diversos cursos da Faculdade de Teologia da Universidade Católica Portuguesa.

Foi membro da Comissão Científica e docente dos módulos de História da Liturgia e Ritual dos Sacramentos nas três edições do Curso de Especialização em Arquitetura de Igrejas promovido pela Faculdade de Arquitetura da Universidade de Lisboa.

Lecionou diversos cursos da Escola de Leigos do Patriarcado de Lisboa. Participou como conferencista em diversos Encontros Nacionais de Pastoral Litúrgica em Fátima, em múltiplas Jornadas Teológicas e outros encontros em várias dioceses de Portugal.

Foi assistente da Associação dos Professores Católicos e membro da Sociedade Científica da Universidade Católica Portuguesa.

EISAM

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