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Nascemos da Páscoa

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O memorial do mistério pascal


Textos das conferências do Cónego Luís Manuel (1956-2020) do Patriarcado de Lisboa

Autor: Luís Manuel Pereira da Silva

Tamanho:148X210mm

N.º de páginas: 400

ISBN 978-989-8877-99-4

1ª edição: junho de 2021

Coleção: Hodie – 4

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Os textos que compõem estas páginas são transcrições das conferências proferidas nos encontros nacionais de Pastoral Litúrgica, em Fátima, entre os anos de 1997 e 2018. A estas juntaram-se outros textos, por se encontrarem no propósito primeiro de fixar por escrito o que muitos de nós fomos escutando. 

A linguagem dos textos apresentados é, na sua maioria, de tom coloquial, num o estilo muito próprio em que as conferências foram proferidas. No modo de se expressar encontramos a alma e o espírito que inflamava o Cónego Luís Manuel e comunicava a todos os que o escutavam. Era a capacidade de dizer os mistérios de Cristo com uma linguagem tão simples, que por vezes nos fazia estremecer. 

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Apresentação

 

O Cónego Luís Manuel Pereira da Silva, membro do Secretariado Nacional de Liturgia de 1999-2020, participa hoje plenamente da Liturgia pascal eterna. Enquanto peregrino na Liturgia bem celebrada e vivida na terra acompanhava, qual mistagogo, para a Liturgia celeste, consciente por palavras e por gestos, que a Igreja nasce e renasce da Páscoa. O mistério pascal é o lugar da Liturgia de nascente.

Este espírito vital realiza-se com profundo simbolismo na celebração litúrgica da Vigília Pascal, qual “noite clara”, ou melhor, «a noite que brilha como o dia e a escuridão é clara como a luz». Esta noite inaugura o Hodie da Liturgia, como se tratasse de um único dia de festa sem ocaso, que se prolonga pela oitava pascal e por todos os cinquenta dias do Tempo Pascal, ou seja, um dia desmesurado de sete semanas, no qual se declara: «eis o dia que fez o Senhor, nele exultemos e nos alegremos» (Sl 118).

Assim, na noite, em que Jesus Cristo passou da morte à vida, a Igreja convida os seus filhos a reunirem-se em vigília e oração. Na verdade, a Vigília Pascal foi sempre considerada a mãe de todas a vigílias e o coração do Ano litúrgico. A sensibilidade popular poderia pensar que a grande noite fosse a noite de Natal, mas a teologia e a liturgia da Igreja adverte que é a noite da Páscoa, «na qual a Igreja espera em vigília a Ressurreição de Cristo e a celebra nos sacramentos» (Normas gerais sobre o Ano litúrgico, 20).

A Vigília na noite santa abre com a liturgia da luz, evocando a ressurreição de Cristo e a peregrinação de Israel guiado pela coluna de fogo. A liturgia salienta a potência da luz, como o símbolo de Cristo Ressuscitado, no círio pascal e nas velas que se acendem do mesmo, na iluminação progressiva das luzes da igreja, ao acender das velas do altar e com as velas acesas na mão para a renovação das promessas batismais. O símbolo mais iluminador é o círio, que deve ser de cera, novo cada ano e relativamente grande, para poder evocar que Cristo é a luz dos povos. Ao acender o círio pascal do lume novo, o sacerdote diz: «A luz de Cristo gloriosamente ressuscitado nos dissipe as trevas do coração e do espírito» e depois apresenta o círio como «Lumen Christi». A Luz, isto é, Cristo. Quando alguém nasce, costuma-se dizer que «veio à luz» ou que «a mãe deu à luz». Podemos, por isso dizer que a Igreja veio à luz na Páscoa de Cristo. De facto, toda a vida da Igreja encontra a sua fonte no mistério da Páscoa de Cristo.

A água na Liturgia é, igualmente, um símbolo muito significativo. «A água é rica de mistério» (Romano Guardini). Ela é simples, pura, limpa e desinteressada. Símbolo perfeito da vida, que Deus preparou, ao longo dos tempos, para manifestar melhor o sentido do Batismo. A oração da bênção da água faz memória da ação salvífica de Deus na história através da água. Com efeito, a água é benzida, para que o homem, criado à imagem e semelhança de Deus, «no sacramento do Batismo seja purificado das velhas impurezas e ressuscite homem novo pela água e pelo Espírito Santo». Na tradição eclesial, a fonte batismal é comparada ao seio materno e a Igreja à mãe que dá à luz.

A liturgia batismal é parte integrante da celebração pascal. Quando não há Batismo, faz-se a bênção da fonte batismal e a renovação das promessas do Batismo. Do programa ritual consta, ainda, o canto da ladainha dos santos, a bênção da água, a aspersão de toda a assembleia com a água benta e a oração universal. A Igreja antiga batizava os catecúmenos nesta noite e hoje permanece a liturgia batismal, mesmo sem a celebração do Batismo. Daqui nascemos e continuamos a renascer!

No encontro com os seus párocos da Diocese de Roma em 2015, o Papa Francisco advertiu: «Celebrar é entrar e fazer entrar no mistério, é simples, mas é assim, se eu for excessivamente rígido, não faço entrar no mistério… e se for um ‘showman’, o protagonista da celebração, não faço entrar no mistério, temos assim os dois extremos».

Por isso mesmo a oração, a catequese, a caridade, são os lugares da alegria do encontro com Jesus Cristo. Os textos que agora publica o Secretariado Nacional de Liturgia – Nascemos da Páscoa – são uma seleção de escritos e comunicações que colige o pensamento e o ensino mistagógico do Cónego Luís Manuel, como se refere na introdução escrita pela equipa litúrgica, coordenada pelos padres Carlos Pinto e Ricardo Jacinto.

Esta publicação intende manifestar sinceramente a gratidão do Patriarcado de Lisboa, da Comissão Episcopal da Liturgia e Espiritualidade e de tantas pessoas que participam no Encontro Nacional de Pastoral Litúrgica em Fátima pelo testemunho pascal do nosso caro mistagogo presbítero Luís Manuel.

A Liturgia é a grande porta para o Mistério. A pastoral mistagógica dos sacramentos, na qual gravita a Liturgia, é hoje nitidamente uma pastoral missionária. Na verdade, a arte mistagógica é um desafiante caminho: ver uma coisa e acreditar noutra é a dinâmica sacramental da fé da Igreja.

 

X José Manuel Garcia Cordeiro
Bispo de Bragança-Miranda
Presidente da Comissão Episcopal da Liturgia e Espiritualidade

 

 

Nota dos coordenadores

 

A presente obra Nascemos da Páscoa surge do desejo de reunir o pensamento e o ensino mistagógico do Cónego Luís Manuel, tarefa que se revelou difícil pelo vasto legado que nos deixou. Aqueles que tiveram a oportunidade de o escutar, fizeram a experiência de ser introduzidos nos mistérios profundos da liturgia, deixando-se guiar como por um irmão mais velho, nas ações gestos e palavras da liturgia da Igreja. Com ele, fazíamos o caminho da renovação litúrgica, tão almejada pelo Concílio Vaticano II, do qual ainda há tanto por acolher. A sua sabedoria mistagógica não era apenas nocional, mas cruzava os mistérios de Cristo com os mistérios da vida humana. Ao leitor, que só agora entre em contato com o autor destes textos, fica o convite de se colocar como um aluno que acolhe a sabedoria que conduz ao amadurecimento, própria de um mestre.

A linguagem dos textos apresentados é, na sua maioria, de tom coloquial e, por vezes, jocoso nos exemplos. Esta realidade não diminui a qualidade teológica e litúrgica dos mesmos, razão que nos levou a optar por manter o estilo em que as conferências foram proferidas, uma vez que também no modo de se expressar encontramos a alma e o espírito que inflamava o Cónego Luís Manuel e comunicava a todos os que o escutavam. Era a capacidade de dizer os mistérios de Cristo com uma linguagem tão simples, que por vezes nos fazia estremecer.

Os textos que compõem estas páginas são transcrições das conferências proferidas nos encontros nacionais de Pastoral Litúrgica, em Fátima, entre os anos de 1997 e 2018. A estas juntámos outros textos, por se encontrarem no propósito primeiro de fixar por escrito o que muitos de nós, leigos e padres, fomos escutando.

A presente obra encontra-se organizada em cinco capítulos, por conjuntos temáticos, procurando facilitar a leitura e o próprio estudo dos temas teológicos. No primeiro capítulo encontram-se conferências que expõem o que é A Liturgia, nas quais o autor nos ajuda a compreender a razão da sua forma e o seu sentido mais profundo. No segundo, encontramos o seu pensamento sobre A Celebração da Missa, onde nos ajuda a entrar no mistério da Eucaristia e no modo como ela se faz transversalmente presente ao longo da nossa vida. No terceiro, A Arte de Celebrar, encontramos conferências especialmente dirigidas a sacerdotes, nas quais o autor se debruça sobre o ministério da presidência. No quarto capítulo, somos conduzidos a um sentido profundo da Espiritualidade da Liturgia. No quinto e último capítulo, encontramos conferências sobre A Mistagogia dos Sacramentos da Iniciação Cristã e de outros símbolos usados nos ritos cristãos. Em anexo encontramos a homilia proferida pelo Cardeal Patriarca de Lisboa, D. Manuel Clemente, na Missa exequial do Cónego Luís Manuel, na qual o autor é colocado na esteira dos grandes liturgistas do processo da renovação litúrgica.

O leitor deparar-se-á com uma das conferências aparentemente repetidas, Vivência Espiritual da Eucaristia: o motivo pelo qual optámos por manter estas duas conferências prende-se ao facto de estas terem sido proferidas em contextos diferentes, levando necessariamente a acentuações diferentes. A primeira, apresentada em Fátima, tem um tom mais geral; a segunda, em jeito de partilha, foi proferida na semana de formação do clero de Lisboa, no contexto do 2º ano do processo de aplicação do documento sinodal de Lisboa.

Nascemos da Páscoa, revela-se-nos como a expressão que melhor traduz aquilo que mobilizava o Cónego Luís Manuel nas suas conferências. Tudo dela partia e para ela se encaminhava, como horizonte e meta da vida cristã. Não se trata apenas de um chavão ou uma verdade inegável, mas antes uma certeza de Fé e de experiência vivida na ação que a Liturgia nos conduz a tocar e a tornar presente. A sua insistência e repetição incansável desta expressão – como poderemos ter ocasião de ler ou revisitar nos textos que agora se publicam – manifesta o que realmente importa em todo o caminho que o Senhor nos chama a percorrer: passar da morte à vida com Cristo, acolhendo o fruto da sua Páscoa.

P. Carlos Pinto
P. Ricardo Jacinto

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