A Importância da Cultura Litúrgica na Vida Espiritual

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Autor: D. António Coelho,OSB

Tamanho:148X210mm
N.º de páginas: 48
ISBN 978-989-8877-24-6
2ª edição: Julho de 2018

Colecção: Exsultet – 6

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Apresentação

A vida cristã requer sempre uma vida espiritual, que para António Coelho, OSB, não pode existir sem a Liturgia. A Igreja convida, por isso, a redescobrir a celebração litúrgica como expressão da autêntica vida espiritual. Neste sentido, exorta a uma contínua renovação e a uma constante formação litúrgicas: «tendo como finalidade favorecer a compreensão do verdadeiro sentido das celebrações da Igreja e ainda uma adequada instrução sobre os ritos, tal formação requer uma autêntica espiritualidade e a educação para vivê-la em plenitude. Por conseguinte, há que promover ainda mais uma verdadeira “mistagogia litúrgica”, com a participação activa de todos os fiéis, cada qual segundo as próprias competências, nas acções sagradas, particularmente na Eucaristia» (S. João Paulo II). A Liturgia constitui, deste modo, uma fonte viva para a espiritualidade cristã.

A Liturgia está na origem do desenvolvimento e da consumação da própria vida cristã. Esta é a vida segundo o Espírito, coerente com Ele. À Liturgia é dado o lugar de «culmen et fons» (Sacrosanctum Concilium 10) da acção da Igreja. Da mesma Liturgia vêm a santificação dos homens em Cristo e a glorificação de Deus, que constituem a estrutura teândrica da Liturgia, a actuação objectiva do acontecimento salvífico.

Podemos dizer que a Liturgia é espiritualidade, ou melhor, a Liturgia é a espiritualidade cristã. A espiritualidade cristã, enquanto tal, não pode ser assim chamada a não ser por via sacramental. Trata-se de realizar na vida o que se celebra na Liturgia. Não é uma espiritualidade cristã, mas é a espiritualidade cristã. A sua qualificação própria é a vida dos cristãos em permanente encontro com Jesus Cristo sob a acção do Espírito Santo.

A espiritualidade não se ensina; aprende-se e experimenta-se. À pergunta dos discípulos «onde moras?» (Jo 1,38) Jesus responde «vinde e vede» (Jo 1,39). Esta resposta do Mestre continua a ser um convite permanente para a comunicação plena e o seguimento definitivo de Cristo. Para tal, a Liturgia tem uma comunicação global, verbal e não verbal. A questão da linguagem na Liturgia não é simples discurso com palavras, mas o conjunto de representação, expressão e comunicação. Ela «é a norma pela qual todas as outras vidas espirituais verificarão, sempre e com facilidade, os seus desvios e que lhes servirá de guia seguro para encontrar a via ordinária» (Romano Guardini). À Liturgia atribui-se o termo «lex orandi», que é ao mesmo tempo «lex credendi», na medida em que na oração litúrgica encontramos toda a revelação e o grande depósito da fé da Igreja.

O binómio culmen et fons é proposto pelo texto conciliar com renovado vigor, quando se apresenta a educação litúrgica e a participação activa na Liturgia: «... ela é a primeira e necessária fonte onde os fiéis podem beber o espírito genuinamente cristão» (Sacrosanctum Concilium 14). A vida espiritual, liturgicamente orientada, nasce da celebração vivida. «Numa palavra, como poderemos celebrar a Liturgia, se não a vivermos? E o inverso também é verdade: não poderemos vivê-la, se não a celebrarmos» (Jean Corbon).

As realidades fundamentais para a espiritualidade litúrgica, operada pelo renovamento litúrgico do II Concílio do Vaticano são: a celebração dos sacramentos, o uso dos salmos, a frequência da leitura orante da Bíblia (lectio divina), a experiência de uma assembleia orante, a consciência e familiaridade com os grandes textos dos Padres da Igreja e dos escritores eclesiásticos.

A qualificação própria da espiritualidade litúrgica é «Por Nosso Senhor Jesus Cristo, vosso Filho, que é Deus convosco na unidade do Espírito Santo», isto é, ao Pai (ad Patrem), pelo Filho (per Filium), no Espírito Santo (in Spiritu). Todo o dom salvífico vem do Pai (ex Patre), pelo Filho (per Filium), no Espírito Santo (in Spiritu) e no Espírito Santo, pelo Filho, volta de novo ao Pai. A fórmula «a, per, in, ad» expressa a dinâmica descendente e ascendente que abarca toda a Liturgia.

Trata-se de viver a Liturgia como obra da Santíssima Trindade, bem expressa na doxologia final da oração Eucarística: «Por Cristo, com Cristo, em Cristo, a Vós, Deus Pai todo-poderoso, na unidade do Espírito Santo, toda a honra e toda a glória agora e para sempre». O Pai é a fonte e o fim da Liturgia. Cristo significa e realiza na Liturgia o seu mistério pascal e age pelos sacramentos. A missão do Espírito Santo na Liturgia é preparar para o encontro com Cristo e tornar presente a obra salvífica de Cristo pelo dom da comunhão na Igreja orante.

Este precioso texto do grande liturgista beneditino, D. António Coelho, contém alguns ligeiros retoques feitos pelo nosso Secretariado Nacional de Liturgia, que não desvirtuam nem empobrecem o texto, antes o tornam menos “datado” e mais “compreensível” aos celebrantes e fiéis de hoje, que bem precisamos de o ler, meditar e praticar.

Ao realizar-se o 44.º Encontro Nacional de Pastoral Litúrgica em 2018 sobre o tema Liturgia e Espiritualidade é muito oportuna a publicação deste breve e profundo apontamento, em ordem a uma mais consciente cultura litúrgica e espiritualidade litúrgica.

 

+ José Manuel Garcia Cordeiro
Bispo de Bragança-Miranda
Presidente da Comissão Episcopal da Liturgia e Espiritualidade

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A Importância da Cultura Litúrgica na Vida Espiritual

A Importância da Cultura Litúrgica na Vida Espiritual

Autor: D. António Coelho,OSB

Tamanho:148X210mm
N.º de páginas: 48
ISBN 978-989-8877-24-6
2ª edição: Julho de 2018

Colecção: Exsultet – 6