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Presbíteros: Palavra e Liturgia
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Presbíteros: Palavra e Liturgia

6,00 €
Com IVA

Autor: Enzo Bianchi 
Tamanho: 160X230mm
N.º de páginas: 64
ISBN  978-989-8877-68-0
1ª edição: junho de 2020
coleção: Verbum caro – 5

A beleza de uma celebração cristã não reside, acima de tudo, no canto, nos ornamentos, na arquitetura, mas na consciência da assembleia e de quem celebra com simplicidade e nudez de gestos, com uma adequada alternância entre palavra e silêncio...

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«Requer-se, ademais, do presbítero também uma familiarização com o Missal, com a eucologia nele contida, e uma sua compreensão cada vez mais aprofundada: quanto maior for a consonância entre o Missal, entre aquilo que o presbítero diz (a vox) e o que dele conhece (a mens), tanto mais saberá presidir a liturgias sérias, convictas, em que “mens concordet voci”, e se torne assim visível a verdade daquilo que celebra. Nunca se dirá o suficiente: a liturgia (lex orandi) não só ratifica a fé (lex credendi), mas torna-se igualmente inspiração de vida (lex vivendi), capaz de configurar a vida espiritual. E aqui permito-me fazer uma pergunta precisa: que conhecimento aprofundado das anáforas do missal de Paulo VI, que acatamento e absorção da sua riqueza espiritual ocorreu nos presbíteros, e igualmente nos fiéis?»

«Na ação litúrgica dizer é fazer, porque quem lê as Sagradas Escrituras ou canta um salmo está também empenhado num fazer, que vai além das suas palavras; e ao mesmo tempo fazer é dizer, porque cada gesto litúrgico (levantar-se, sentar-se, inclinar-se, abraçar-se…) constitui uma verdadeira linguagem. Tudo isto se encontra bem sintetizado no adágio formulado por Louis-Marie Chauvet: “A lei fundamental da liturgia não é dizer o que se faz, mas fazer o que se diz”».


«É certo que hoje, no presbítero, se vê aquilo que ele é capaz de fazer ver, e tal não é estranho ao processo de vocação: se no presbítero se vir e admirar o animador de jovens, o líder, o educador ou até o gestor, nunca se chegará a acolher a ideia de que o padre deve amar sobretudo a liturgia. Mas se alguém não amar o opus Dei, a liturgia, então acabará por antepor-lhe outras coisas e viverá a liturgia como algo a fazer, como uma função a desempenhar sem vontade e sem convicção. Esta realidade, infelizmente presente na vida de muitos presbíteros, revela-se na incapacidade de viver a liturgia como oração. O meu velho pároco repetia-me, muitas vezes: “Queres viver bem a liturgia? Faz como dizia S. Pio X: não rezes na missa, mas reza a missa”».

 

Nota prévia

Caros irmãos presbíteros na Igreja de Deus,
decorreram já seis anos, desde que decidi recolher e publicar as reflexões sobre o vosso ministério, solicitadas sobretudo pelos bispos do Piemonte e da Toscana, e que eu havia apresentado igualmente em diversas dioceses da Itália e do estrangeiro. Desde a publicação da recolha Aos presbíteros até hoje, não diminuiu a minha preocupação com o serviço que prestais à porção da Igreja confiada aos vossos cuidados pastorais, pelo que se consolidou a amizade fraterna e a familiaridade com muitos de vós. Pensei assim que seria útil, mais para mim do que ainda para vós, recolher os aprofundamentos elaborados na minha pesquisa e no meu ministério de pregação em torno de dois nós fundamentais do vosso ministério: a relação com a palavra de Deus e a celebração da liturgia eucarística.

Mas decidi igualmente publicar uma carta mais pessoal, enviada originariamente a um presbítero meu amigo, com algumas indicações sobre o modo de celebrar a missa, para que ela possa irradiar em plenitude a sua graça, antes de mais, no próprio presbítero que a ela preside e igualmente em todos os que participam na celebração eucarística. É uma carta que tem as suas raízes na reforma litúrgica, esta grande graça feita por Deus à sua Igreja: também a vós a ofereço com simplicidade e gratidão neste ano em que toda a Igreja católica se interroga e reflete sobre o ministério presbiteral, mas sobretudo ora por todos os que o exercem.

Com este pequeno e pobre texto gostaria igualmente de expressar a minha gratidão e o meu afeto a muitos sacerdotes que me apreciaram e que eu apreciei, que foram meus mestres e que agora celebram já a liturgia celeste, e também àqueles que eu chamo afetuosamente os meus “últimos padres”: D. Angelo Casati, D. Luigi Pozzoli, D. Luigi Carrai.

Enzo Bianchi

Enzo Bianchi

(Castel Boglione, 3 de março de 1943)


Enzo Bianchi nasceu em Castel Boglione (AT), Monferrato (Itália), a 3 de março de 1943. Depois de completar os estudos na Faculdade de Economia e Comércio da Universidade de Turim, em finais de 1965, rumou ao lugar de Bose, na freguesia de Magnano na serra de Ivrea, e recolheu-se numa propriedade abandonada, com o propósito de dar início a uma Comunidade Monástica. Em 1968, já com os primeiros Irmãos e Irmãs que se lhe juntaram, escreveu a Regra da Comunidade. A Comunidade conta já com cerca de oitenta membros (Irmãos e Irmãs), de cinco nacionalidades e presente na Itália, para além de Bose, em Ostuni (BR), Assis (PG) e Cellole – San Gimignano (SI), Civitella (RM) e, ainda, em Jerusalém (Israel).

Em 1983 fundou a Editora Edizioni Qiqajon que publica textos de espiritualidade bíblica, patrística, litúrgica e monástica. Em 2000 a Università degli Studi di Torino conferiu-lhe o título honoris causa em “Ciências Políticas”.

É membro do Conselho do Comité Católico para a Colaboração cultural com as Igrejas Ortodoxas do Conselho Pontifício para a promoção da Unidade dos Cristãos. Participou na qualidade de perito nomeado pelo Papa Bento XVI nos Sínodos dos Bispos sobre a Palavra de Deus (outubro de 2008) e sobre a Nova Evangelização para a transmissão da fé cristã (outubro de 2012). 

Em 2014, o Papa Francisco nomeou-o Consultor do Conselho Pontifício para a promoção da Unidade dos Cristãos. Em 2009, recebeu o “Premio Cesare Pavese” e o “Premio Cesare Angelini” pelo livro Il pane di ieri; em 2013, recebeu o “Prémio internacional da Paz em memória de Giorgio La Pira” do Centro Studi Donati. Desde 2014, é cidadão de honra do Val d’Aosta e de Nizza Monferrato.