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O Mistério do Natal do Senhor

8,00 €
Com IVA

História, Celebração e Teologia numa perspetiva genética

Autor: Nuno Duarte Queirós

Ilustrações: Avelino Leite

Tamanho:148X210mm

N.º de páginas: 216

ISBN 978-989-8877-78-9

1ª edição: novembro de 2020

Coleção: Exsultet – 15

“Quando todas as palavras divinas, caríssimos, nos exortam a que sempre nos regozijemos no Senhor, não há dúvida de que hoje, em que o mistério do seu nascimento brilha para nós com mais claridade, somos mais abundantemente incitados à alegria espiritual. Pois, se nos voltarmos para esta inefável inclinação da misericórdia divina, pela qual o Criador dos homens se dignou nascer homem, encontramo-nos na mesma natureza daquele a quem adoramos na nossa”.

São Leão Magno – Sermão 28, 1.

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O Autor

Nuno Duarte da Silva Queirós nasceu a 22 de abril de 1984, em Santo Tirso. É presbítero da Diocese de Aveiro, onde foi ordenado a 17 de novembro de 2013 por D. António Francisco dos Santos. É mestre em Teologia pela Faculdade de Teologia da Universidade Católica Portuguesa. Foi monge beneditino da Abadia de Singeverga, tendo sido organista, cantor e membro da comissão de Liturgia do mosteiro. Exerceu a docência no Colégio de Ermesinde e no Instituto Superior de Ciências Religiosas de Aveiro. Na Diocese de Aveiro é pároco, membro do Colégio de Consultores, do Conselho Presbiteral e do Conselho Diocesano de Pastoral, diretor do Secretariado Diocesano de Liturgia, membro do Serviço Diocesano de Música Litúrgica, diretor da Rede Mundial da Oração do Papa – Apostolado da Oração, delegado aos Congressos Eucarísticos Internacionais e assistente de alguns movimentos laicais. É vogal do Serviço Nacional de Acólitos.

  

Apresentação

O Tempo do Natal é também designado o tempo da manifestação-aparição da divindade, no qual se comemora a encarnação do Filho de Deus, o seu nascimento e as suas primeiras manifestações à humanidade. A esta celebração chama-se no Ocidente, Natal, e no Oriente, Epifania.

O nascimento de Jesus é celebrado num dia fixo do ciclo anual, o dia 25 de dezembro. Por volta da segunda metade do séc. IV, encontramos a indicação deste dia como data do Natale solis invicti no calendário civil e, ao mesmo tempo como data da celebração do Natal de Jesus. Por outro lado, 25 de dezembro, data do solstício de inverno, estabelece uma relação bíblico-simbólica luz/trevas e Cristo vitorioso absoluto das trevas do pecado.

É o papa São Leão Magno (†461) a reconhecer os elementos sacramentais do Natal, chamando ao Natal «Sacramentum nativitatis Christi»[1], pelo qual o Verbo se fez carne, nos ensina não só a recordar o passado, mas nos parece vê-lo presente.

A Igreja considera o mistério do Natal como uma renovação da Páscoa, dado a sua estreita relação com o mistério da morte e ressurreição de Cristo, centro da vida litúrgica: «Depois da celebração anual do mistério pascal, nada na Igreja é mais venerável do que a celebração do Natal do Senhor e das suas primeiras manifestações: é o que se faz no Tempo do Natal»[2].

O atual Missal Romano apresenta na Missa do dia de Natal um texto antigo, que exprime uma teologia simples, mas essencial sobre a relação dos mistérios da criação, da Páscoa e do Natal: «Senhor nosso Deus, que de modo admirável criastes o homem e de modo ainda mais admirável o renovastes, fazei que possamos participar na vida divina do vosso Filho que se dignou assumir a nossa natureza humana»[3].

Agradecemos e felicitamos o Padre Nuno Duarte da Silva Queirós, diretor do Secretariado Diocesano de Liturgia da Diocese de Aveiro, pelo estudo e reflexão sobre as origens da celebração do Natal no Ocidente, a partir das dimensões histórica, litúrgica e teológica. A investigação originária teve como objetivo a realização da dissertação final de Mestrado Integrado em Teologia apresentada na Faculdade de Teologia no Centro regional do Porto da Universidade Católica Portuguesa em 2013[4]. Desde então, a atenção do autor concentrou-se no acompanhamento da investigação científica acerca das grandes questões aqui abordadas que estimularam a retificação pontual de um ou outro aspeto que se afigurou mais oportuno.

Este estudo proporciona ao leitor da língua portuguesa um contributo que se soma à ciência das raízes do culto cristão e à contemplação do Mistério da Natividade que, de diversos modos, celebramos no Natal.

A publicação é ainda enobrecida pelo belo conjunto de ilustrações do Professor Avelino Leite, a quem estamos muito gratos.

 A síntese significativa que até agora encontrávamos publicada em Portugal acerca das origens da celebração latina do Natal resultou da abordagem suscitada pelo Secretariado Nacional de Liturgia no XVI Encontro Nacional de Pastoral Litúrgica, decorrido em Fátima de 23 a 27 de julho de 1990, com o tema “A Celebração do Mistério do Natal”[5]. Felizmente, o Secretariado Nacional de Liturgia possibilitou recentemente uma nova edição das conferências desse encontro de 1990, aumentada e enriquecida com textos seletos da patrística e do magistério[6]. Muito proveitosa é, outrossim, a dissertação do Padre Sebastião Faria, SJ, que abordou os principais temas teológicos na Liturgia Eucarística de Natal segundo o Sacramentário Veronense à luz da Tradição ocidental, e que nos proporciona uma boa análise eucológica[7].

Ainda que nos deparemos com um tempo novo e difícil, é hora de revisitarmos com esperança as nossas raízes cristãs, também elas marcadas desde o início por tantos padecimentos, para saborearmos a essência dos valores familiares e os grandes mistérios da fé, para que não seja ignorado o património cultural milenar do cristianismo, que no Mistério do Natal contempla a Deus eternamente próximo e presente.

Quando a Liturgia celebra o mistério de Cristo, há uma palavra que caracteriza a sua oração: Hoje! É o que salienta a antífona do cântico do Magnificat no dia da Epifania, ao referir-se aos “tria miracula”: «Recordamos neste dia três mistérios: hoje a estrela guiou os Magos ao presépio; hoje, nas bodas de Caná, a água foi mudada em vinho; hoje, no rio Jordão, Cristo quis ser batizado, para nos salvar. Aleluia». Esta antífona sintetiza o sentido mais profundo do Tempo do Natal, qual presença do único e mesmo mistério de Cristo, como a sua manifestação pública a todos os povos.

 

X José Manuel Garcia Cordeiro
Bispo de Bragança-Miranda
Presidente da Comissão Episcopal da Liturgia e Espiritualidade

 



[1]        Leo Magnus, «Tractatus 27,1», Corpus Christianorum. Series Latina 138, Turnholti 1973, 132.

[2]        Normas gerais sobre o Ano litúrgico e o Calendário 32, in Secretariado Nacional de Liturgia, Enquirídio dos documentos da Reforma Litúrgica, Fátima 22014, 870.

[3]        Missal Romano, Solenidade do Natal do Senhor, Missa do Dia, Oração Coleta.

[4]        Queirós, N. – Sacramentum Natalis Domini: História, celebração e teologia do Natal numa perspetiva genética. Dissertação final do Mestrado Integrado em Teologia. Universidade Católica Portuguesa, Porto, 2013. Texto policopiado.

[5]        Secretariado Nacional de LiturgiaA Celebração do Mistério do Natal. XVI Encontro Nacional de Pastoral Litúrgica. Gráfica de Coimbra, 1990, p. 19-45.

[6]        Secretariado Nacional de Liturgia, A celebração do mistério do Natal, Fátima 32018.

[7]        Faria, S. – Natal e Eucaristia: Os principais temas teológicos na Liturgia eucarística de Natal segundo o Sacramentário Veronense (Formulário XL) à luz da Tradição ocidental. Sociedade de Mariologia Mater Ecclesiae, Braga 1973.

MNS