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Santo Agostinho: Sermões – II

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Volume II – Os Evangelhos [Sermões 51 – 147 A]

Traduzidos por José António Gonçalves

Introdução e notas de Isidro Pereira Lamelas

Tamanho: 150X210mm 

Capa cartonada

N.º de páginas: 1000

ISBN 978-989-9081-61-1

1.ª edição: julho de 2023

Coleção: Fontes – 2

Excerto e Índice »

«Neste volume reúnem-se os Sermões ao povo, pregados por S. Agostinho enquanto presbítero e bispo (395-430), sobre os quatro Evangelhos. São 128 discursos homiléticos, alguns dos quais fragmentários, sabendo que muitos outros não nos chegaram às mãos, ou porque não foram imediatamente transcritos, ou porque não se conservaram na posterior tradição manuscrita.

No caso destes Sermões, o facto de as coleções antigas e edições modernas os reunirem sob a temática dos Evangelhos (De verbis Domini) não significa que se trata de um comentário continuado a cada um dos Evangelhos, como sucede no magistral Comentário ao Evangelho de João (In Evangelium Ioannis tractatus). São, na verdade, homilias proferidas ao ritmo do ano litúrgico e ao sabor das leituras que eram lidas nas assembleias litúrgicas. » (Isidro Pereira Lamelas, in Introdução)

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Introdução

Neste volume reúnem-se os Sermões ao povo, pregados por S. Agostinho enquanto presbítero e bispo (395-430), sobre os quatro Evangelhos. São 128 discursos homiléticos, alguns dos quais fragmentários[1], sabendo que muitos outros não nos chegaram às mãos, ou porque não foram imediatamente transcritos, ou porque não se conservaram na posterior tradição manuscrita[2].

No caso destes Sermões, o facto de as coleções antigas e edições modernas os reunirem sob a temática dos Evangelhos (De verbis Domini) não significa que se trata de um comentário continuado a cada um dos Evangelhos, como sucede no magistral Comentário ao Evangelho de João (In Evangelium Ioannis tractatus[3]). São, na verdade, homilias proferidas ao ritmo do ano litúrgico e ao sabor das leituras que eram lidas nas assembleias litúrgicas.

No tempo de S. Agostinho já existe uma ordem de leituras fixas, mas não um lecionário único e rigorosamente fixado e prescritivo, com as leituras a serem lidas. Era já prática corrente lerem-se três leituras: uma do AT, outra de S. Paulo e uma terceira dos Evangelhos[4], para além do Salmo[5]. Quanto às leituras evangélicas, lia-se, por norma, o Evangelho, passo a passo, de forma continuada[6].

Embora bem ciente da unidade das Escrituras (“Quando propomos algo do Evangelho, comprovamo-lo com a Lei e os Profetas[7]), não nos surpreende que, em muitas das celebrações dominicais e festivas o pregador se foque mais na palavra evangélica. Depois da proclamação do Evangelho, seguia-se a homilia que partia, habitualmente, de um mote evangélico. A dinâmica é sempre esta: à proclamação e escuta da “Palavra do Senhor, segue-se a pregação ao povo”: Verbi Dei assiduos auditoresVerbum Dei populis praedicamus[8]. Assim se enuncia o grande serviço do Pastor da Igreja[9] que “se edifica sobre os quatro Evangelhos”[10].

Podia suceder que este serviço da palavra também ocorresse fora do contexto ritual da Eucaristia. Mas, ainda nestes casos, a sequência mantinha-se: leituras, sermão[11].

“Entre todos os livros ensinados pela autoridade divina contidos na Sagrada Escritura, o Evangelho ocupa justamente um lugar de primazia. Efetivamente, o que a Lei e os Profetas preanunciavam como futuro, realizou-se no Evangelho”. Assim começa Agostinho o seu tratado Sobre o consenso dos Evangelistas[12].

As palavras do Evangelho constituem, pois, a grande “autoridade” e “raiz” da pregação: “São essas palavras que se leem no Evangelho que eu vos recordo, para que vos deis conta de que estas palavras que vos disse provêm do Evangelho: estas são a raiz, enquanto as nossas são os ramos (quae enim verba leguntur in Evangelio commoneo vos, ut videatis haec quae dixi inde nata, ut illa sint radix, nostra autem rami)”[13].

O Evangelho é “raiz” e “vida”[14] que faz “vibrar o coração” do pregador, impelindo-o a exercer o seu ministério: “Hoje, porém, ouvindo a leitura acerca da qual vos deveria ser pregado o sermão, depois de lido o Evangelho, o meu coração bateu de tal forma, que acreditei que Deus queria que vós ouvísseis daqui alguma coisa por meio do meu ministério”[15].

Sabemos, de facto, que o pastor de Hipona meditou assídua e longamente as páginas do Evangelho, antes de o explicar ao povo. E quando partilha com os seus fiéis a Palavra de Deus, partilha também a sua própria vivência da mesma. Adequar a vida ao Evangelho é, na verdade, o grande desafio que lhes propõe[16].

Se, para o Hiponense, toda a Escritura é o corpo verbal do Verbo divino, os Evangelhos são a própria voz do Senhor que se faz companhia de cada ouvinte: “O Senhor colocou na terra a sua cópia fiel: deixou aí o Evangelho. No Evangelho, Ele está contigo”[17]. Esta “presença” é tão verdadeira e real como a própria palavra de Cristo. O “Evangelho é a boca de Cristo”[18], pois “no Evangelho é o próprio Jesus Cristo que fala”[19] e o pregador deve ser apenas seu eco fiel.

Por isso, Agostinho adverte que “não é um pregador de palavras, mas da Palavra[20] que se reveste da autoridade do Evangelho e não do pregador[21].

Por isso, quando o bispo de Hipona fala do “Evangelho”, não se refere a um livro ou a páginas de pergaminho escritas a tinta, mas à “boa notícia” de que se faz arauto entusiasta: “Mas, quando eu falo em Evangelho, talvez se dê o caso de tu pensares que se trata de um códice e penses que o Evangelho é pergaminho e tinta. Mas repara no significado deste nome em grego: Evangelho é bom mensageiro, ou boa notícia[22].

É esta ótima mensagem que, antes de ser pregada, requisita bons ouvintes e praticantes: “A leitura do Evangelho que agora ressoou aos nossos ouvidos, irmãos, requer mais quem a ouça e cumpra, do que quem a explique[23].

O Evangelho não tem, contudo, nada de eufemístico ou de “palavras bonitas de se ouvirem[24]. Seguir este caminho seria, segundo Agostinho, enganar os ouvintes e trair a “violência” da palavra divina[25]. Referindo-se, em particular, ao quarto Evangelho, declara: “o Evangelho de João exercita as mentes, raspa-as e descarna-as, para apreciarmos Deus, não carnalmente, mas espiritualmente”[26].

É este “exercício espiritual” que nos proporciona, ainda hoje, reler os Evangelhos na interpretação vigorosa dos Sermões agostinianos. 

 

Pedes Domini, praedicatores Evangelii[27].

 



[1]   É o caso dos Sermões 3; 4 A; 49 A; 77 C; 140 A. Cf. C. LAMBOT, Sermons complétés de Saint Augustin. Fragments de sermons perdus, in RB 51 (1939) 3‑30 ; P.-O. VERBRAKEN, Les fragments conservés de sermons perdus de Saint Augustin, in RB 84 (1974) 245‑270.

[2]   Agostinho refere-se a alguns desses muitos Sermões que não chegaram até nós, cf. Sermo 9,5; Vol. 1, p. 209, n. 29; 89,4; p. 423, n. 21; 93,1,1; p. 458, n. 2; 112 A,1; p. 608, n. 3.

[3]   Nas suas Retratationes Agostinho distingue entre “sermões pregados ao povo e sermões ditados”: “…sermones ad populum, alios dictatos, alios a me dictos” (II,67).

[4]   Cf. Sermo 49,1; 176,1; 165,1; 94,6; 299 A,1; Introdução Geral, Vol. I, p. 54.

[5]   Cf. Sermo 83,1.

[6]   Como se poderá verificar pela tabela da Introdução Geral, Vol. I, pp. 69-77.

[7]   Sermo 79 A,3; cf. 125,9.

[8]   Sermo 179,1; cf. 176,4; 306 C,4.

[9]   Cf. Sermo 16 A,6; 95,2; 114,1; 145,1.

[10]   Sermo 95,2.

[11]   Cf. Ep.  29,3. 11.

[12]   De Consensu Evangelistarum, 1,1: “Inter omnes divinas auctoritates, quae sanctis Litteris continentur, Evangelium merito excellit. Quod enim Lex et Prophetae futurum praenuntiaverunt, hoc redditum atque completum in Evangelio demonstratur”.

[13]   Sermo 20 A,6.

[14]   Sermo 65,4,5.

[15]   Sermo 71,5,8.

[16]   Sermo 339,4: “terret me Evangelium”. Cf. Sermo 53 A,1.

[17]   Sermo 142,14.

[18]   Sermo 85,1,1. Sermo 107 A,5: “Diz no Evangelho o próprio Senhor…”. Cf. Sermo 82,5,8.

[19]   Sermo 73 A,1. Cf. Sermo 63 A,1. 126,8; 127,4,4; 134,1,1

[20]   Sermo 71,13,22.

[21]   Cf. Sermo 72 A,5-6; 51,1.

[22]   Sermo 133,6.

[23]   Sermo 85,1,1.

[24]   Cf. Sermo 110 A,1.

[25]   Cf. Sermo 9,3; 40,7; 4,32; 9,3.

[26]   Sermo 140,6.

[27]   Sermo 99,13.

 

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Sermoes Santo Agostinho Vol II

Sermões de Santo Agostinho: 51 a 147A

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