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Autor: Francisco Costa Alves
Tamanho:148X210mm
N.º de páginas: 176
ISBN 978-989-9288-00-3
Coleção: Hodie – 16
A concelebração eucarística tem como uma das suas grandes riquezas despertar-nos para a dimensão simbólica da liturgia. Ela é ícone e sinal – no seu sentido rico, sem fingimento, mas com verdade – da Igreja celebrante do Mistério da Páscoa. A concelebração é, portanto, uma eloquente manifestação do que Santo Agostinho exclama da própria Eucaristia: «Ó sacramento de piedade! Ó signo de unidade! Ó vínculo de caridade!».
Francisco Maria Amaral Santos da Costa Alves, nasceu em Lisboa, no ano 2000. Começou o seu percurso vocacional nos seminários diocesanos do Patriarcado de Lisboa em 2016, no Seminário Menor de Nossa Senhora da Graça de Penafirme. Em 2018, ingressou no Seminário Patriarcal de S. José, para o Tempo Propedêutico e, em 2019, entrou no Seminário Maior de Cristo-Rei dos Olivais.
Foi ordenado Presbítero a 29 de junho de 2025, estando incardinado no Patriarcado de Lisboa. Atualmente, é Vice-Reitor do Seminário Menor de Nossa Senhora da Graça de Penafirme e Membro da Equipa do Pré-Seminário de Lisboa.
Em 2024, defendeu a tese de Mestrado Integrado em Teologia na Faculdade de Teologia da Universidade Católica Portuguesa.
«A celebração eucarística primitiva […] é uma verdadeira concelebração sacramental, em que a Igreja toda atua o seu Sacerdócio, hierarquicamente, ordenadamente, segundo a competência dos diversos aspetos e graus do Sacerdócio; além disso, é concelebração verdadeiramente “tradicional” e o arquétipo eternamente-ontologicamente inspiracional da também aqui necessária refontalização». [Santos Neves 1965, 249]
Francisco Alves oferece, neste esmerado estudo, coordenadas para peregrinar ao mistério da (con)celebração eucarística. Que esclarecedor ele é! O livro, sim. Folguemos nisso, pois são aprazíveis as clarividências teológicas, quer na razoabilidade científica, quer nos questionamentos da ampla declinação pastoral. Antes, porém, de apresentar as camadas pavimentais da via teológica a percorrer, contextualizando a sua reconhecida pertinência, imagino que haja leitores que apreciarão como algo desejável ver esclarecidas certas situações concernentes à prática da concelebração eucarística, das quais poderão ser, inclusive, testemunhas in prima persona. E, na espantada atenção que elas suscitam, sentir-se-ão implicadas nas perguntas da fé celebrada.
Há presbíteros que, não obstante o direito litúrgico em vigor ― até mesmo quando esclarecidas as dúvidas sobre a concelebração eucarística ―, se recusam a concelebrar, com a justificação de que seguem a «forma extraordinária» da missa. E que, por isso, só celebram a missa privada ou com o povo; nunca, porém, com outros presbíteros e o bispo da diocese. Numa atitude outra, também se veem presbíteros, por exemplo, durante o período de férias ou em determinadas concelebrações, que participam desde a nave, desprovidos das vestes litúrgicas. E, todavia, dizem que concelebram com a mesma qualidade sacramental proporcionada pelo seu grau, segundo a ordem. Além disso, na basílica de S. Pedro no Vaticano, de manhã cedo, os altares laterais ficam ocupados com presbíteros a celebrar missas em simultâneo, sozinhos ou com o apoio de chierichettos (acólitos). Mais, dentro e fora (sagrato e praça) da basílica vaticana, até os guardas suíços dão ordens aos presbíteros ― mesmo que estes se apresentem devidamente paramentados ― para evitar concelebrar, caso não estejam «acreditados» para isso. E, embora sejam situações raras, há ainda presbíteros que, nos ofícios de defuntos, reunidos para cantar Laudes ou Vésperas, se recusam a concelebrar a missa. Levam, porém, um estipêndio que é superior ao estipulado, na tabela da província eclesiástica, para a missa.
Mergulha, ó leitor, na unidade eucarística. Salta para o esclarecimento das perguntas. Purifica os teus olhos, lendo este livro. Lava o pensamento e o espírito. Alveja a vida! Alvorada e lavabo te proporcione este ofício de leitura. Dobre ele, o livro, os vértices da cumeeira do teu entendimento à mercê da nuvem baixa das interpretações, que é um banco de sombras seculares a persistir. Sim, purifiquemo-nos das interpretações, pois algumas são desvios em relação ao princípio. Eis porque levanto o protocolo deste prefácio, convidando à unidade integral, ao epicentro do mistério que faz estremecer. Sim, no abalo lúdico ― oh, alegria da fé! ―, ao ritmo do sabor na comensalidade. Onda após onda, sorvo a sorvo, eis o brinde anafórico do convite: Corações ao centro! Mentes ao mistério! Justamente, para dentro. Até ao íntimo, recorda. Demos contemporaneidade à mens do início! Iluminar-nos-emos no esplendor das suas réplicas. É nosso dever ― mais do que obediência jurídica ou moral casuística ―, dar graças ao Francisco Alves que, através deste livro convida a fazer viagens, com punctum mora mysterii (na hospitaleira demora do mistério aclarante), à fonte vivificante da eucaristia, celebrada com e para a multidão incontável e o cosmos a convergir em Cristo.
(...)
Termino com uma bênção e um agradecimento. A bênção é para Francisco Alves, feita no modo conjuntivo: Que a classificação máxima atribuída à tua tese sirva de estímulo para continuares a seguir os principais debates sobre a concelebração eucarística e a partilhar a reflexão com os leitores. Por sua vez, o agradecimento é para o Secretariado Nacional de Liturgia por publicar este artefacto teológico ― mais um, é verdade! ― amadurecido na Faculdade de Teologia da Universidade Católica Portuguesa.
Joaquim Félix de Carvalho
Braga, 27 de junho de 2025