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Em Vós Confio

35,00 €
Com IVA

Leitura bíblico-pastoral da liturgia quotidiana

Autor: José Ribeiro Gomes

Tamanho:148X210mm

N.º de páginas: 1760

ISBN 978-989-8877-77-2

1ª edição: novembro de 2020

As meditações propostas são uma “leitura-orante da liturgia quotidiana”: um modo de viver a vida cristã, com um coração de carne entre os irmãos; uma “Lectio Divina”, que encontra a sua fonte e cume na celebração da Missa.

O Autor:

José Manuel Pereira Ribeiro Gomes nasceu em Campo de Besteiros, Tondela.

Estudou teologia no Porto e foi ordenado sacerdote em 1988, na Diocese de Bragança-Miranda.

Em 2003, na Universidade Católica de Paris (ICP-ISL), defendeu a tese de doutoramento em Teologia com especialização em Liturgia e Teologia Sacramental: Liturgia e arquitectura: uma nova arquitectura para um novo projecto litúrgico.

Em 1998 obteve na Escola do Museu do Louvre, Paris, o diploma em Museologia: Os ‘museus’ de Arte Sacra: oportunidade, necessidade ou fatalidade? O exemplo dum projecto de ‘museu’ no departamento de « Ain ».

Fez o curso superior de canto (nível amador), estudou órgão, direcção de coros e canto gregoriano.

Diplomado em História da música e da arte, em Estudos contemporâneos  em Cultura e Arte (com um trabalho sobre o futuro da Ópera no final do século XX, com a nova Ópera da Bastilha em Paris) e em Civilização e Cultura Francesa.

Estudou comunicação social na Universidade de Comillas, Madrid.

Foi pároco na zona de Miranda do Douro, Vinhais e Bragança e capelão de várias comunidades portuguesas em Paris.

Presidente da Comissão Diocesana de Arte Sacra,Director do Departamento de Liturgia e Património Cultural da Igreja de Bragança e do Secretariado de Liturgia, Música e Arte Sacra.

Leccionou em várias escolas, Universidades públicas, Institutos superiores de Teologia e na Escola das Artes no Porto (UCP).

Realizou vários projectos museográficos para diversas exposições e museus.

Autor de múltiplos artigos e de vários livros.

Desde 2010, é Oficial na Congregação para o Culto Divino e Disciplina dos Sacramentos, na cidade do Vaticano.

Dentro da sua actual actividade realiza conferências e dirige ‘master-classe’ no campo da liturgia, arte e música.

O seu último livro foi publicado em italiano (Setembro de 2020): Sette saggi sull’architettura religiosa contemporaneaManuale di architettura ecclesiale cattolica.

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Apresentação

Hoje, sente-se a «necessidade de um cristianismo que se destaque principalmente pela arte da oração. (...) Mas a oração, como bem sabemos, não se pode dar por suposta; é necessário aprender a rezar, voltando sempre de novo a conhecer esta arte dos próprios lábios do divino Mestre, como os primeiros discípulos: “Senhor, ensina-nos a orar” (Lc 11,1)»[1].

No livro “Em Vós confio”, que o Secretariado Nacional de Liturgia agora publica, proporciona-se mais um contributo para a espiritualidade litúrgica. A confiança do orante: «Senhor, em Vós confio» (Sl 90, 2b) é muito importante na vida espiritual cristã, sentir-se acolhido e amado em Deus.

Saudamos e agradecemos ao estimado Padre José Ribeiro Gomes, do nosso presbitério de Bragança-Miranda, por oferecer estas chaves de leitura orante a partir do Ano Litúrgico e que nos textos do Missal Romano, emerge como fonte de espiritualidade.

O Missal integra a Bíblia para a Liturgia, a que chamamos lecionário: «seguindo a nova edição do Missal Romano [2008], o Lecionário e o Pontifical, reelaborámos e traduzimos, em parte, os textos do livro citado atualizando-os, completando-os e criando novos para os muitos dias em falta. Quisemos dar sempre primazia aos textos litúrgicos. O intuito foi avizinhar-se o mais possível da Liturgia diária da Missa, preparando-se para a sua celebração e, ou em ação de graças» (pag. 11).

Acrescenta ainda o autor: «As meditações propostas são uma “leitura-orante da liturgia quotidiana”: um modo de viver a vida cristã, com um coração de carne entre os irmãos; uma “Lectio Divina”, que encontra a sua fonte e cume na celebração da Missa» (pag.11).

A Eucaristia é fonte e cume da vida e da missão da Igreja. Por isso, não nos podemos limitar a celebrar a Eucaristia nem a somente a acreditar e adorar a Eucaristia, mas a ser Eucaristia viva, vivendo a partir do Domingo[2].

O Missal é livro da oração e não, apenas, livro de orações. O Missal de São Paulo VI (1970) continua a tradição celebrativa do Missal de São Pio V (1570) com novas exigências ao nível da arte da palavra, dos sons, dos gestos, das atitudes, dos silêncios, dos cânticos, dos objetos e dos movimentos. O grande objetivo e novidade da celebração eucarística é a oração unânime da assembleia, para louvor de Deus e santificação dos fiéis.

Com o Missal podemos experimentar toda a Liturgia como lectio liturgica, que à semelhança da lectio divina, nunca esquecendo que o lecionário é parte integrante do Missal Romano, segue os passos: lectio, meditatio, oratio e contemplatio.

De acordo com a inteligência da Liturgia como «culmen et fons»[3], o Ano litúrgico não é mais um ano-calendário, mas marca a centralidade da vida cristã, que deve ritmar toda a ação eclesial. Na realidade, as harmoniosas disposições sobre o Ano litúrgico não se expressam, porém, sem distorções nem choques culturais nas distintas tradições litúrgicas, nas igrejas locais, no confronto com a piedade popular, com os planos pastorais e programação civil. Isto requer, cada vez mais, uma pastoral do Ano litúrgico, até porque se nota que, habitualmente, os tempos litúrgicos são mais uma ocasião para realizar iniciativas pastorais do que verdadeiras celebrações do mistério de Cristo.

Com esta recordação dos mistérios da Redenção, a Igreja oferece a aos fiéis, as riquezas de todas as dimensões da vida de Cristo, com a qual se devem sempre confrontar, para que cresça neles a graça.

Na celebração dos 40 anos da constituição conciliar Sacrosanctum Concilium, São João Paulo II formulou o voto: «que neste início de milénio se desenvolva uma “espiritualidade litúrgica”, que leve as pessoas a tomarem consciência de Cristo como primeiro “liturgo”, que não cessa de agir na Igreja e no mundo, em virtude do Mistério pascal continuamente celebrado, e associa a Si mesmo a Igreja para louvor do Pai, na unidade do Espírito Santo»[4].

A vida em Cristo, começada na existência e presente pelos mistérios da Iniciação Cristã, será perfeita na vida futura, onde ouviremos a Voz do Silêncio de Deus. Não existirá verdadeira espiritualidade litúrgica sem a experiência viva destas palavras: «Vos damos graças, porque nos julgastes dignos de estar de pé diante de Vós e de Vos servir como sacerdotes»[5].

Podemos dizer que a Liturgia é espiritualidade, ou seja, a Liturgia é a espiritualidade cristã. A espiritualidade litúrgica é a espiritualidade cristã, no sentido em que: «toda a vida cristã deve fundar-se na liturgia, isto é, na celebração dos sacramentos, sobretudo nos sacramentos da Iniciação cristã e da Eucaristia, e, em linha de princípio, na celebração da Liturgia das Horas, no amplo quadro do Ano litúrgico»[6]. A espiritualidade cristã, enquanto tal, não pode ser assim chamada a não ser por via sacramental. Trata-se de realizar na vida o que se celebra na liturgia[7]. Não é uma espiritualidade cristã, mas é a espiritualidade cristã. A sua qualificação própria é a vida dos cristãos em permanente encontro com Jesus Cristo sob a ação do Espírito Santo.

A Liturgia é a Igreja em oração: «as ações litúrgicas não são ações privadas mas celebrações da Igreja, que é “sacramento de unidade”, isto é, Povo santo reunido e ordenado sob a direção dos Bispos. Por isso, tais ações pertencem a todo o Corpo da Igreja, manifestam-no, atingindo, porém, cada um dos membros de modo diverso, segundo a variedade de estados, funções e participação atual»[8].

Ao celebrar o culto divino, a Igreja exprime aquilo que é: una, santa, católica e apostólica. E porque a Igreja é o sacramento de unidade, as ações litúrgicas pertencem a todo o corpo da Igreja.

Da renovação ao aprofundamento, eis o impulso para o futuro da pastoral e espiritualidade litúrgicas.

O grande esforço de formação e de renovação tem como finalidade favorecer a compreensão do verdadeiro sentido das celebrações da Igreja, através de uma mistagogia litúrgica e da participação ativa e consciente dos fiéis. A liturgia é, com efeito, um instrumento de santificação na celebração da fé da Igreja. Ela constitui, juntamente com a Sagrada Escritura e os ensinamentos dos Padres da Igreja, uma fonte de sólida e verdadeira espiritualidade cristã.

O Papa Francisco, na Visita Ad Limina Apostolorum dos Bispos de Portugal em 2015, pediu-nos: «para passar do modelo escolar ao catecumenal: não apenas conhecimentos cerebrais, mas encontro pessoal com Jesus Cristo, vivido em dinâmica vocacional segundo a qual Deus chama e o ser humano responde». 

Sem oração, ou melhor, sem Liturgia não há Missão. Por isso, «A Igreja evangeliza e se evangeliza com a beleza da liturgia, que é também celebração da atividade evangelizadora e fonte dum renovado impulso para se dar»[9].

Auguramos que este livro possa fortalecer uma maior relação de amizade com o Senhor, fonte da nossa confiança para servir bem a Esperança.

 

X José Manuel Garcia Cordeiro
Bispo de Bragança-Miranda
Presidente da Comissão Episcopal da Liturgia e Espiritualidade

 

 

 

INTRODUÇÃO

Senhor, em Vós confio. Cf. Sl 90(91),2b

 

No início da nossa caminhada para melhor servir o Senhor, tivemos a felicidade de encontrar um pequeno livro que nos seduziu e nos acompanhou até hoje: intitulava-se “Para ti Senhor”, esgotado desde há muito.

[Tradução do livro de Marcel Denis,  Vers Toi, Seigneur…, 1973]

 

Apresentava-se como um “breviário”; oração-meditação quotidiana, oferecendo um encontro com a Palavra de Deus, que é alimento e se torna o encanto e a alegria do nosso coração. Jer 15,16

Mais tarde, na celebração quotidiana da Eucaristia, esta Palavra foi-se tornando escudo e couraça, e aos da minha esquerda e da minha direita,  com Ela, procurámos mostrar a salvação de Deus.

Mais convictos do que nunca, que esta Palavra é a única a dar força para não tropeçar e para andar sobre víboras e serpentes; Sl 90(91) ela levou-nos a uma reflexão, mesmo a um ’ensaio’ na arte poética, que agora partilhamos, reflectindo sobre o que  os nossos próprios olhos puderam contemplar.

Hoje, a nossa missão no serviço à Igreja é, em parte, “meditar, estudar, reelaborar, verificar” a fidelidade da Palavra-orante da Liturgia ao que Jesus disse e a Igreja propõe. DV 10

Ao longo do tempo constatámos, entre os filhos de Deus, a distância, ou a vaga referência à Sua Palavra: assim, os lobos vêm e arrebatam-nos! É a proximidade com esta Palavra que nos faz ser ‘Lâmpada’ sobre o candelabro, brilhando para todos. Mt 5,15

Ela nos fará sentir plantados na casa do Senhor, e com Ela a Igreja crescerá como o cedro do Líbano. Sl 91(92) Não só nestes tempos de “pandemia”, que afastam da verdadeira Festa, que é a Eucaristia, ‘Em Vós confio’ ajudará a alma que anseia pelas águas vivas a beber a Palavra, viva e eficaz, que é o verdadeiro alimento para um coração sedento.

Seguindo a nova edição do Missal Romano [2008], o Leccionário e o Pontifical, reelaborámos e traduzimos, em parte, os textos do livro citado actualizando-os, completando-os e criando novos para os muitos dias em falta. Quisemos dar sempre primazia aos textos litúrgicos. O intuito foi avizinhar-se o mais possível da Liturgia diária da Missa, preparando-se para a sua celebração e, ou em acção de graças.

As meditações propostas são uma “leitura-orante da liturgia quotidiana”: um modo de viver a vida cristã, com um coração de carne entre os irmãos; uma “Lectio Divina”, que encontra a sua fonte e cume na celebração da Missa. LG 11

Movidos pela prática pastoral, sabemos da impossibilidade, para muitos, de celebrar a Missa todos os dias; momento de ver Deus face a face! Mas quer seja junto ao calor da lareira ou abrigados do sol quando castiga, esta Palavra-Revelação deve ser a presença amiga como foi de Moisés. Ex 33,11

O fio condutor são as leituras bíblicas do dia e o seu enquadramento com as antífonas, as orações e, por vezes, o próprio Prefácio da Missa. Apresentamos o refrão do salmo responsorial e a aclamação ao Evangelho que proporcionam, durante a Missa, rezar duas vezes: cantando-os; sobretudo quando não se tem acesso directo ou imediato ao Leccionário. Sublinhámos a temática da liturgia de cada dia.

Estando o Missal nas mãos do Sacerdote, das antífonas e orações, que ele eleva ao Pai em nome de todos, CIC 1545.1552, fizemos o “memorial” para o nosso dia; a oração que agrada ao Senhor.

Assim, esta leitura-orante da liturgia diária pode ser, também, uma luz, um meio de evangelização, para “anunciar”, aos homens do nosso tempo, a palavra que actualiza os mistérios celebrados, que são a “fonte da vida”.

A sua leitura ajudará a compreender o fio condutor que une todos os textos, tornando presente o Mistério da Morte e Ressurreição do Senhor e os aspectos do Mistério que se celebram em cada Eucaristia. 

Este percurso “de espiritualidade bíblica” segue as Solenidades, Festas, Memórias de cada Tempo Litúrgico, Celebrações Rituais e os Santos: quem são, o que fizeram ou disseram, e sua exemplaridade para nós hoje.

Propõe ao orante alternativas para enriquecer as suas “devoções” pessoais e comunitárias (terço, tríduos, novenas, adoração, etc., que o leitor pode adaptar), afim de que cresça na fé rezando com a Igreja de todos os lugares.

 

José Ribeiro Gomes 

 

 

 



[1]   S. João Paulo II, Novo Millennio Ineute 32.

[2]   Cf. Bento XVI, Sacramentum Caritatis 73.

[3]   SC 10.

[4]   S. João Paulo II, Spiritus et Sponsa 16.

[5]   Hipólito de Roma, Tradição Apostólica 4, Secretariado Nacional de Liturgia, Fátima 2020, 52.

[6]   Cf. A. Louf, La vita spirituale, Comunità di Bose 2001, 9.

[7]   «Deus todo-poderoso e eterno, que, na Páscoa da nova aliança, oferecestes aos homens o dom da reconciliação e da paz, fazei que realizemos na vida o que celebramos na fé», Missal Romano, Sexta-feira da Oitava da Páscoa, Oração colecta.

[8]    SC 26.

[9]    Francisco, Evangelii Gaudium 24.

 

EVC

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