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Dai-lhes vós de comer

7,00 €
Com IVA

Autor: Mário Sousa

Tamanho: 160X230mm

N.º de páginas: 232

ISBN 978-989-8877-98-7

1ª edição: junho 2021

Coleção: Verbum caro – 7

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Este livro recolhe e partilha uma seleção de escritos que foram sendo publicados em diversas revistas. Uns são meditações bíblicas, outros, artigos de caráter científico, mas todos reveladores do fogo que a Palavra acende no coração de quem a aprofunda e nela redescobre continuamente a surpresa de Deus que se manifesta. 

Em cada página, para além da sua competência como Professor e Mestre, transparece o seu coração de pastor e o seu amor pessoal a Cristo, à Palavra e à Igreja, amor que contagia quantos têm o privilégio de o escutar e agora se estenderá a quantos lerem esta obra. 

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Prefácio

 

Estamos gratos ao Pe. Mário Sousa pela publicação desta obra, para assinalar as suas bodas de prata sacerdotais, permitindo-nos, deste modo, unir-nos à sua ação de graças pelo dom do sacerdócio ministerial, exercido com dedicação e generosidade ao serviço da Diocese do Algarve.

O título escolhido – Dai-lhes vós de comer (Mc 6,37) – reflete a sua resposta pessoal a esta exortação intemporal de Jesus, como expressão do exercício do dom que lhe foi concedido há vinte e cinco anos e continua a distribuir, de muitos modos, àqueles que Deus vai colocando no seu caminho. A publicação desta obra constitui, seguramente, um modo eficaz de o fazer. Em cada página, para além da sua competência como Professor e Mestre, transparece o seu coração de pastor e o seu amor pessoal a Cristo, à Palavra e à Igreja, amor que contagia quantos têm o privilégio de o escutar e agora, estou certo, se estenderá a quantos lerem esta obra.

Dai-lhes vós de comer (Mc 6,37) é uma seleção de doze artigos, publicados pelo autor em diferentes revistas, que agrupamos, de acordo com o tema abordado, e apresentamos com breves considerações sobre cada um deles.

A obra abre com três artigos sobre o Evangelho de S. João:

Os quatro artigos seguintes aprofundam temas de antropologia bíblica:

–    o primeiro sobre a dignidade inalienável do ser humano, criado à imagem e semelhança de Deus e que ganha uma dimensão radicalmente nova na filiação divina em Cristo;

–    o segundo que apresenta o significado dessa nova criação em Cristo no que respeita aos sacramentos do Matrimónio e da Ordem;

–    o terceiro sobre o sentido último da vida dos cristãos, tal como é apresentado por Paulo através da transformação do conceito grego de imortalidade realizada pelo apóstolo;

–    o quarto sobre a luz que a Escritura lança sobre o tema da eutanásia, apresentando-a como estrondosa oposição ao projeto e vontade de Deus.

O livro termina com dois artigos mais técnicos, mas nem por isso menos atraentes e apelativos:

–    um sobre o significado do encontro de Saúl com duas jovens, que é motivo para se perceber a forma como os autores sagrados usam esquemas pré-estabelecidos (os chamados géneros literários ou cenas típicas) para apresentar significados mais profundos e transcendentes do que aqueles que são alcançáveis por uma leitura apressada ou limitada pelos esquemas mentais do leitor ocidental;

–    o último em que o autor faz um verdadeiro exercício de crítica textual, em que, pelo estudo dos diferentes manuscritos, ajuda a perceber não só a constante presença de doutores da lei junto de Jesus no início da sua vida pública, como a razão do ódio mortal que estes acabam por fomentar em relação ao Senhor.

Dai-lhes vós de comer (Mc 6,37)! Cristo continua, hoje, a fazer-nos o mesmo desafio.

Se é imprescindível distribuir a todos o “pão de cada dia”, de modo que a ninguém falte o necessário para a sua subsistência, também é verdade que este convite nos obriga a distribuir o Pão da Palavra e da Eucaristia, como alimentos que dão conteúdo e sentido à vida, abrindo-a à dimensão da eternidade.

Estamos gratos ao Pe. Mário, pela disponibilidade em partilhar o “seu farnel”, para assinalar as suas Bodas de Prata Sacerdotais, bem como ao Secretariado Nacional de Liturgia em dispor-se a “multiplicá-lo e a distribuí-lo”, tornando-o acessível a quantos quiserem dele servir-se, certos de que “nem só de pão viverá o homem, mas de toda a Palavra que sai da boca de Deus” (Mt 4,4; Dt 8,3).

 

X Manuel Neto Quintas

Bispo do Algarve

 

 

Introdução

 

«Ao desembarcar, Jesus viu uma numerosa multidão e compadeceu-se profundamente deles, porque eram como ovelhas que não têm pastor» (Mc 6,34a).

 

Estas palavras de S. Marcos enquadram as duas ações que, depois delas, Jesus realiza: o ensinamento (6,34b) e a multiplicação dos pães (6,41), que o mesmo é dizer, o anúncio do evangelho e a eucaristia. São elas as duas grandes manifestações do cuidado e da profunda compaixão de Cristo-Pastor, donde brota o pedido do Senhor aos seus discípulos, que peregrina por todos os tempos e lugares (e que dá título a este livro): «Dai-lhes vós de comer» (Mc 6,37). Esta é a única razão de ser do ministério presbiteral, que é gerado nas entranhas misericordiosas de Jesus (palavra que está na raiz do verbo traduzido por compadecer-se profundamente). O padre não é ordenado apenas para uma missão sacerdotal: esta é manifestação de uma vocação e de um ministério mais abrangentes, o de ser, em todas as dimensões da sua vida, sinal sacramental da compaixão, do cuidado e da total dedicação de Cristo, o Pastor por antonomásia (Jo 10,11.14).

Este livro surge no contexto dos meus 25 anos de ordenação presbiteral (28 de Junho de 1996) e, por isso, oferecido no incenso da ação de graças que elevo a Deus que, depois de uma intensa luta, gravou-me na alma com as letras vivas do Seu amor: «Dá-lhes tu de comer». Apesar das minhas fragilidades e fraquezas, o Senhor quis-me (Mc 3,13). Chamou-me a ser presbítero da Igreja do Algarve, que tenho procurado amar com tudo o que sou e tenho. Tudo será sempre pouco para agradecer à Igreja na qual nasci, cresci e amadureci na fé; foi também nela e para ela que o Senhor quis chamar-me a servir como pastor. É sobretudo como pároco que, desde a primeira hora, tenho vivido o meu ministério, e dou graças a Deus por isso! Pelas comunidades de Alcantarilha e Pera (1996-2000), da Sé de Faro (2003-2009), da Matriz de Portimão (desde 2009) e, de um modo particular, do nosso Seminário Diocesano a cuja equipa formadora presidi (2004-2009). Mas, entretanto, em 2000, D. Manuel Madureira enviou-me para o Pontifício Instituto Bíblico (Roma) para aí estudar Ciências Bíblicas. Também ele, como Paulo aos presbíteros de Éfeso, «me entregou a Deus e à Palavra da Sua graça» (cf. At 20,32). É esta Palavra cheia da vida divina, à qual procuro incessantemente entregar-me, que me tem iluminado, guardado e alimentado. É a Ela que tenho dedicado grande parte dos dias e do tempo, para que, também por Ela, Cristo continue a desembarcar na vida de todos os homens e mulheres que anseiam pelo Pastor que lhes mate a fome de sentido para a vida, cuide das feridas feitas nas silvas da vida, e que, debaixo do sol forte da existência, as conduza às águas refrescantes.

Este livro, que agradeço ao Secretariado Nacional de Liturgia, recolhe e partilha uma seleção de escritos meus, que foram sendo publicados em diversas revistas. Uns são meditações bíblicas, outros, artigos de caráter científico, mas todos reveladores do fogo que a Palavra acende no coração de quem a aprofunda e nela redescobre continuamente a surpresa de Deus que se manifesta. Os artigos, como é obrigatório que se faça, são reproduzidos tal como foram publicados, pelo que peço ao estimado leitor que não estranhe que um deles apareça em espanhol, nem que alguns citem ou apresentem ideias de outros. São uma partilha do meu ministério, do meu amor à Palavra e da riqueza que a Palavra na minha vida tem sido.

Dedico esta publicação com carinho agradecido à minha mãe e à minha família, à querida Igreja do Algarve – de um modo particular aos paroquianos da Matriz de Portimão – e aos meus alunos do Instituto Superior de Teologia de Évora, mas sobretudo ao Senhor, por ser Ele quem é!

Mário Sousa

 

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