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Maria de Nazaré, Mãe de Deus e Mãe nossa

5,00 €
Com IVA

Autor: D. Manuel Madureira Dias

Tamanho: 160X230mm

N.º de páginas: 176

ISBN 978-989-9081-02-4

Coleção: Verbum caro – 8

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A obra tem uma intenção catequética, com uma linguagem que a torna acessível ao grande público e lhe permite apresentar a figura de Maria mais próxima de nós. O autor quis construir uma mariologia teórico-prática, existencial e de pendor pastoral que resulte significativa para a experiência cristã.

Estamos perante um texto precioso, equilibrado e atualizado sobre “Maria de Nazaré, Mãe de Deus e Mãe nossa”, com um novo olhar e uma linguagem fiéis ao evangelho e à sensibilidade do homem de hoje. Deixa transparecer, ao mesmo tempo, a beleza da Mãe e o fervor filial do filho que sobre ela escreve. No final de cada capítulo, a reflexão faz-se oração, um verdadeiro hino que brota dum coração filial.

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Prefácio

Um novo olhar sobre Maria de Nazaré

 

Foi com alegria que acedi ao convite para apresentar esta obra de D. Manuel Madureira Dias, Bispo emérito do Algarve, fruto da sua reflexão de teólogo (foi professor de teologia) e de pastor próximo do povo de Deus, com o “cheiro a ovelhas”, na expressão do Papa Francisco. É um livro que nos oferece um novo olhar sobre “Maria de Nazaré, Mãe de Deus e Mãe nossa”. Sai a lume num contexto significativo da vida da Igreja, o que lhe dá uma particular relevância e atualidade.

De facto, o Papa Francisco está a comunicar à Igreja uma espiritualidade, uma pastoral e uma teologia centradas na “revolução da ternura de Deus”, rico de misericórdia, revelada e comunicada no rosto de Cristo. Daqui brota o projeto e o espírito da reforma evangélica que está a imprimir à Igreja. Esta caraterística do pontificado de Francisco inclui uma componente mariana como se evidencia nos últimos números da Exortação Apostólica “A Alegria do Evangelho”. Aí podemos ver a reflexão sobre Maria e a piedade mariana aplicada à renovação da vida cristã, da Igreja e da sua missão evangelizadora no nosso hoje. Em abono desta perspetiva, o cardeal Walter Kasper afirma com a sua perspicácia e autoridade de teólogo de renome mundial: “Uma verdadeira renovação da Igreja não é possível sem uma renovada mariologia e sem uma renovada devoção a Maria. Por isso, Maria pode ser também hoje um modelo para a renovação da vida da Igreja e ajudar a realizá-la”.

A obra que apresentamos situa-se precisamente nesta linha de evangelização e renovação. Não pretende ser um tratado sistemático com muita erudição teológica. Como diz o autor, tem uma intenção catequética, com uma linguagem que a torna acessível ao grande público e lhe permite apresentar a figura de Maria mais próxima de nós. É uma caraterística presente em toda a exposição, digna de apreço e louvor, que nos faz lembrar a crítica de Santa Teresa do Menino Jesus que se queixava dos sacerdotes: “Se eu tivesse sido sacerdote, que bem eu teria falado da Virgem. Apresentam-no-la inacessível e deveriam apresentá-la imitável. Ela tem mais de mãe do que de rainha. Foi dito que o seu brilho eclipsa o de todos os santos, assim como o sol, ao raiar a aurora, faz desaparecer as estrelas. Meu Deus, quão estranho é isto! Uma mãe que ofusca a glória dos seus filhos. Eu penso o contrário. A Virgem Maria: quão simples deve ter sido a sua vida...” (História de uma alma, cap. XII).

Não se pense, porém, que a intenção catequética reduz a obra a um catecismo. O autor quis construir uma mariologia teórico-prática, existencial e de pendor pastoral que resulte significativa para a experiência cristã. Manifesta bem que está a par da melhor reflexão teológica contemporânea sobre Maria. Logo à partida faz a conexão deste seu livro com o anterior sobre Jesus Cristo, afirmando que devem ser lidos como um todo, pois se completam e iluminam mutuamente em vários aspetos. Falar de Maria é falar de Cristo e vice-versa: “mãe e filho são inseparáveis”. É certo que Maria não é o centro do cristianismo. Não substitui de modo algum a Cristo. Mas em Cristo, o centro, também Maria é central, tem um lugar e uma missão singulares ao lado de Cristo, ao serviço de Cristo, da Igreja e da humanidade. Este aspeto está presente ou subjacente em todos os capítulos do livro.

Maria é como um ícone que condensa o Mistério, um fragmento que reproduz a totalidade, como recorda o Concílio Vaticano II: “Maria, pela sua íntima participação na história da salvação, reúne por assim dizer e reflete em si as mais altas verdades da fé” (LG 65). Ela está no coração de Cristo e da Igreja. Em continuidade com o capitulo oitavo da constituição Lumen Gentium, o nosso autor faz uma síntese excelente sobre “A Santíssima Virgem, Mãe de Deus, no mistério de Cristo e da Igreja”. Por esta razão se contempla Maria à luz do mistério de Cristo e da Igreja. Por outro lado, Maria é uma chave para a exata compreensão do mistério de Cristo e da Igreja. Por isso é necessário também contemplar Cristo e a Igreja, a partir de Maria, com os olhos da fé de Maria. Assim, o autor expõe as verdades relativas a Maria ressaltando os seus significados teológicos, eclesiológicos e antropológicas de cada tema. Em cada um dos nove capítulos do livro vai colocando como que uma tessela de um mosaico maior de modo a oferecer uma imagem admirável de Maria para o cristão e para a Igreja de hoje.

Na impossibilidade de aqui focar todos os aspetos da obra, limito-me a pôr em relevo alguns que me parecem mais importantes para ajudar o leitor e ter presentes na ação pastoral, concretamente na piedade popular.

Antes de mais, podemos verificar que a figura de Maria e a reflexão sobre ela é inserida no conjunto global da fé cristã, segundo a indicação da Lumen Gentium de colocar Maria, Mãe de Deus no mistério de Cristo e da Igreja. Segundo a fórmula do Papa São Paulo VI, Maria “é toda ela relativa a Deus e a Cristo”, ou então, a Cristo, à Trindade Santíssima e à Igreja. No fundo, trata-se de inseri-la na história da salvação. De contrário, um tratamento isolado leva a cair em especulações subtis e a equívocos prejudiciais.

Outro aspeto digno de nota é apresentar-nos Maria como criatura de Deus, como nossa irmã em humanidade, como a filha de Israel, a mulher hebraica que viveu a fé e a esperança do seu povo, como aquela que assumiu, com todos os riscos, a maternidade de um filho.

Chama desde logo a atenção que o capitulo de abertura do livro tem o significativo título “Maria, a Mulher” seguido de dois com os títulos “A mulher noiva, a mulher esposa” e “A mulher, Mãe”. Sublinho este aspeto porque há um modo de apresentar a figura de Maria que desencoraja em vez de animar a aproximar-se dela. Quando é indicada como a mulher absolutamente inimitável, acima da vida comum dos humanos, resta perguntar: o que tem de comum connosco esta mulher maravilhosa?

É uma grata constatação, que nos enche de consolação e estímulo, ver que esta obra começa precisamente por apresentar os traços da figura evangélica de Maria muito próxima de nós: uma donzela simples do povo, nascida entre os montes da Galileia, noiva e depois esposa de um trabalhador, e por fim mãe. Uma mulher inserida no ambiente sócio cultural muito diferente do nosso, mas que soube o que é emigrar para um país estrangeiro, que experimentou a dor, que teve de se confrontar cada dia com dificuldades e tentações não diferentes das nossas. Uma mulher de fé que na vida quotidiana procurava cumprir a vontade de Deus.

É interessante a interpretação do autor ao afirmar que na pessoa da mãe, Jesus põe em relevo o seu papel de mulher, ao tratá-la por mulher (“Mulher, que tem isso a ver contigo e comigo?”). A partir daqui procura realçar a dignidade da mulher à luz do mistério da criação e da redenção, até afirmar “A encarnação do Filho de Deus no seio de Maria foi a melhor forma de Deus honrar as mulheres mães que são consideradas dignas de toda a honra só pelo facto de serem mães”.

Assim a humanidade feminina de Maria é posta em evidência com todas as ressonâncias que comporta: a personalidade viva e audaz, próxima de nós, e a disponibilidade inteira ao desígnio de Deus.

O capítulo central é o da maternidade divina de Maria, Mãe de Deus. É o título dos títulos, o título fundamental por excelência de Maria, mãe de Jesus, o Filho de Deus humanado, “princípio base de toda a mariologia”, “fonte de tudo o que se pode afirmar teologicamente sobre Maria”. “É a partir da maternidade divina de Maria que se desenvolve o que diz a teologia na sua relação com Deus, com Cristo e a Igreja”, algo que sobressai ao longo de toda a obra. Tudo o que diz respeito a Maria parte daqui e aqui retorna. A dignidade da sua pessoa provém da eleição por pura graça de Deus. Os chamados privilégios de Maria não devem ser considerados como arbitrários, mas sim interpretados a partir do seu significado no mistério de Cristo e da salvação, dado que sua maternidade não é algo meramente biológico, mas um acontecimento de fé: “recebeu a Cristo no seu coração pela fé, antes de o receber no seu seio” (Santo Agostinho). Para realizar a missão materna, Deus preparou-a de modo singular. A esta luz são apresentados os dons singulares com que ela foi agraciada: a imaculada conceição, a maternidade virginal e a assunção ao céu.

Resta salientar a dimensão eclesial da maternidade de Maria à qual o autor dedica dois capítulos, onde trata do seu lugar e da sua missão na Igreja como discípula e mãe. Na vida da mãe observam-se todas as exigências evangélicas para ser discípula do Filho desde o berço no seio, ao longo do ministério, até à cruz. E junto à cruz explicita-se ao mesmo tempo a sua condição de discípula e mãe da Igreja. Assim, o exercício da sua maternidade espiritual assume, na grande família eclesial, o papel da mãe e intercessora em nosso favor. Como tal é membro eminente, ícone, imagem, protótipo e modelo da Igreja e dos crentes na ordem de fé e da caridade, da perfeita união com Cristo e da nossa esperança na plenitude da vida eterna.

Em síntese, estamos perante um texto precioso, equilibrado e atualizado sobre “Maria de Nazaré, Mãe de Deus e Mãe nossa”, com um novo olhar e uma linguagem fiéis ao evangelho e à sensibilidade do homem de hoje. Deixa transparecer, ao mesmo tempo, a beleza da Mãe e o fervor filial do filho que sobre ela escreve. No final de cada capítulo, a reflexão faz-se oração, um verdadeiro hino que brota dum coração filial.

Na conclusão do livro, D. Manuel Madureira manifesta a sua hesitação sobre se publicar ou não as suas reflexões sobre a Mãe de Deus; se terão interesse ou se haverá leitores com interesse. Pela minha parte subscrevo o que ele mesmo afirma: “Para mim, foi proveitoso ler, refletir (...) e rezar estes nove capítulos sobre a Mãe de Deus”, e agradeço-lhe do coração este seu testemunho. Estou certo de que para os outros leitores será também de grande proveito e frutuoso!

+ Cardeal António Marto

Bispo de Leiria-Fátima

Introdução

Depois de ter escrito um pequeno livro, com doze capítulos, sobre a Pessoa de Jesus de Nazaré, não resisti ao desejo de dizer mais alguma coisa sobre Ele, embora de modo indireto.

Nas páginas que se seguem, tive como objetivo falar da pessoa de Maria, a Mãe de Jesus, e não de Jesus em Si mesmo. Creio, porém, que tudo o que se possa dizer sobre a Mãe se repercute no Filho, tal como o que se escreve sobre o Filho, se repercute, necessariamente, na Mãe.

Mãe e Filho são de tal modo inseparáveis que não é possível falar dum sem referir o outro. Se falamos do Filho, temos de saber alguma coisa sobre a Sua Mãe, caso contrário, falta algo de essencial ao que possa dizer-se a seu respeito; e se falamos da Mãe, temos de saber quem é e como é o fruto do seu ventre.

Sendo assim, estes dois escritos devem ser lidos como um todo, porque se completam e se esclarecem um ao outro em muitos aspetos.

E, porque Jesus confiou à sua Mãe o cuidado dos que O seguem, como discípulos Seus, aludirei também à relação de Maria com a Igreja.

Tive a preocupação de abordar os temas clássicos da Mariologia, com uma intenção catequética, sem pretender fazer uma teologia muito elevada, e, porventura, inacessível para muita gente.

Procurei, de preferência, enquadrar cada um dos capítulos num contexto mais alargado que pudesse ajudar-nos a situar a pessoa de Maria de Nazaré na cultura do povo a que pertence, como mulher, como esposa e como mãe.

Dei maior relevo à maternidade de Maria, em razão de duas caraterísticas fundamentais: a natureza deste Filho que é Filho do Homem, Servo de Javé, Messias, Filho de Deus; e a singularidade da própria maternidade, visto tratar-se de uma maternidade virginal e divina.

Mas, a exposição não fica por aqui.

Maria não foi só Mãe de Jesus. Ela foi também sua discípula. Além disso, gerando fisicamente um Filho que é o Salvador do mundo, tornou-se Mãe espiritual de todos os seguidores de seu Filho. Ela é Mãe da Igreja.

Saudada pelo anjo de Deus como a cheia de graça, apresenta-se aos nossos olhos como modelo de vida e como verdadeiro arquétipo do que também nós devemos ser.

Pela Sua imaculada conceção, Ela interpela-nos, indo à nossa frente como primeira redimida, e apontando para a vitória sobre o pecado que Deus quer aconteça com todos nós, pecadores, redimidos por Seu Filho, o Salvador da humanidade.

Pela Sua assunção, Ela aponta o caminho a todos quantos Seu Filho redimiu.

Tal como Ele venceu o pecado e a morte, pela Sua ressurreição, à qual já associou a Mãe, assim nós, estimulados pela assunção de Maria aos céus, somos convidados a vencer o pecado e a morte, com a graça da redenção, operada por Cristo, e a intercessão da Mãe de Jesus, que é também nossa Mãe.

Manuel Madureira Dias

 

 

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